câncer de pâncreas tem fatores de risco hereditários e não hereditários. Os não hereditários, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca),são os responsáveis pela maioria dos casos (85% a 90%). Portanto, conhecê-los e promover algumas mudanças nos hábitos de vida é essencial para prevenir a doença.

Neste artigo, o Dr. Roberto Pestana, oncologista clínico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP),especialista em tumores gastrointestinais, falou a respeito. Para saber mais, continue a leitura!

O que é a doença e quais são seus principais sintomas?

O câncer de pâncreas é um tumor maligno de comportamento agressivo, que se origina nos ductos onde são produzidas as enzimas pancreáticas. A área mais afetada costuma ser o lado direito, conhecida como a cabeça do órgão.

Existem diversos tipos de cânceres de pâncreas, mas o mais comum é o adenocarcinoma de pâncreas. Esse surge no tecido glandular e corresponde a 90% dos casos da doença. Os principais sinais e sintomas são:

  • icterícia (olhos e peles amarelados);
  • fraqueza;
  • urina escura (cor de chá preto);
  • fezes claras;
  • dor no abdômen superior ou nas costas;
  • perda de apetite e de peso;
  • náuseas e vômitos;
  • coceira na pele;
  • aumento da vesícula biliar ou do fígado;
  • formação de coágulos sanguíneos;
  • diabetes (que pode ser tanto um fator de risco, como uma manifestação clínica da doença).

Como é a incidência e o prognóstico do câncer de pâncreas?

Os sinais e sintomas do câncer de pâncreas não são precisos. Isso dificulta sua detecção precoce, levando, muitas vezes, ao diagnóstico tardio. Por isso, trata-se de um tumor com alta taxa de letalidade, ainda que avanços tenham sido implementados nos últimos anos.

No Brasil, de acordo com o Inca, ele é responsável por apenas 2% do total de casos de câncer, mas responde por 4% das mortes em decorrência da doença. Sua incidência é mais significativa no sexo masculino e aumenta com o avanço da idade. Assim, raramente surge antes dos 30 anos e é mais comum após os 60.

Quais são os fatores de risco para o câncer de pâncreas?

Entre os fatores de risco para o câncer de pâncreas, há causas genéticas e adquiridas. As primeiras, em menor número, têm a ver com doenças familiares como:

  • síndrome de pancreatite hereditária;
  • síndrome de Peutz-Jeghers;
  • síndrome de Lynch (câncer colorretal sem polipose);
  • mutações em genes de reparo de DNA, como BRCA1, BRCA2 e PALB2;
  • síndrome do melanoma múltiplo atípico familiar, como melanomas na pele ou nos olhos ligados ao gene p16/CGKN2A.

Já os fatores de risco externos, ou seja, não genéticos, são predominantes. É o caso do:

  • tabagismo;
  • sobrepeso e obesidade;
  • diabetes;
  • pancreatite crônica não hereditária;

Existem, ainda, outros hábitos que podem aumentar o risco de câncer de pâncreas. É o caso de:

  • dietas ricas em carnes vermelhas e processadas, associadas ao baixo consumo de frutas, verduras e legumes;
  • consumo excessivo de álcool;
  • infecções estomacais bacterianas (H. pylori) ou por hepatite B.

Mas é importante ressaltar que ter um ou mais fatores de risco não significa que você tem ou terá a doença. Até porque é difícil estimar o grau de influência de cada um desses fatores no desenvolvimento do tumor.

Como minimizar as chances de ocorrência da doença?

Por se relacionarem ao estilo de vida, os fatores de risco para o câncer de pâncreas são passíveis de modificação. Sendo assim, evitá-los é a melhor forma de prevenir a doença!

A primeira recomendação é: considere parar de fumar e, até mesmo, de se expor passivamente à fumaça do cigarro.

Também evite o manuseio de agentes químicos sem o devido equipamento de proteção individual (EPI). No mais, é muito importante:

  • alimentar-se de forma saudável;
  • praticar atividades físicas regularmente;
  • manter o peso dentro da faixa recomendada para sua altura e faixa etária;
  • evitar o excesso de bebidas alcoólicas.

Ao mesmo tempo, deve-se ir às consultas médicas periódicas e realizar os exames de rotina. Como se sabe, resultados alterados podem ser indícios de problemas e merecem ser investigados. Muitas vezes, uma intervenção precoce, por mais simples que pareça, faz toda a diferença na saúde e qualidade de vida futura!

Como é o diagnóstico e o tratamento para esse tipo de neoplasia?

O diagnóstico do câncer de pâncreas é feito pelo oncologista especialista em tumores gastrointestinais, por meio da anamnese, exames físicos e complementares (laboratoriais e de imagem). A confirmação, por sua vez, é dada somente após a biópsia.

Em relação ao tratamento, pode-se realizar a remoção cirúrgica do tumor, ablação ou embolização, associadas ou não à radioterapia, quimioterapia, terapia alvo e/ou imunoterapia. A estratégia adotada é definida individualmente, com base nas características do tumor e do paciente.

Para concluir, agora que você entende a relação entre câncer de pâncreas e fatores de risco ligados ao estilo de vida, adote as mudanças necessárias para preveni-lo. E, caso haja qualquer suspeita, procure ajuda médica. Isso porque, por mais genéricos que sejam, sintomas que não melhoram em poucos dias devem, sempre, ser investigados por um especialista.

Se ainda tiver dúvidas, sinta-se à vontade para entrar em contato. A equipe do Dr. Roberto está à disposição!

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Publicado por: - Oncologista - CRM 170.446 | RQE 97248
O Dr. Roberto Pestana (CRM 170.446 | RQE 97248) é oncologista clínica do centro de oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Além disso, ele é médico do ambulatório de sarcomas do Hospital Municipal Vila Santa Catarina.