
Sintomas do câncer de pâncreas: 11 sinais para não ignorar
Os principais sintomas do câncer de pâncreas são: icterícia (pele e olhos amarelados),urina escurecida, dor no abdômen ou nas costas, perda de peso sem causa aparente e alterações nas fezes. Esses sinais costumam aparecer em estágios avançados da doença, por isso reconhecê-los cedo faz toda a diferença no tratamento.
Neste artigo, oDr. Roberto Pestana, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, explica os 11 principais sinais e sintomas do câncer de pâncreas, os fatores de risco e quando procurar um especialista.
O que é o câncer de pâncreas?
O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago. Ele tem duas funções principais: produzir enzimas que ajudam na digestão e liberar hormônios como a insulina, que regula o açúcar no sangue.
O tipo mais comum de tumor pancreático é oadenocarcinoma de pâncreas, que representa cerca de 90% dos casos. Trata-se de uma neoplasia que, em geral, não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Quer entender mais sobre os tipos de câncer de pâncreas?Leia o artigo completo sobre adenocarcinoma de pâncreas aqui no blog.
Quais são os fatores de risco para o câncer de pâncreas?
Antes de listar os sintomas, é importante entender quem tem maior chance de desenvolver essa doença. Os principais fatores de risco são:
- Tabagismo: fumantes têm risco 2 a 3 vezes maior de desenvolver câncer pancreático
- Obesidade: índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30
- Pancreatite crônica: inflamação prolongada do pâncreas, frequentemente associada ao consumo excessivo de álcool
- Histórico familiar: especialmente com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2
- Idade avançada:mais comum a partir dos 60 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- Alimentação inadequada: dieta rica em carnes vermelhas e processadas, com baixo consumo de vegetais
- Infecção por H. pylori: bactéria que pode atingir o trato gastrointestinal
- Hepatite B
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa vai desenvolver a doença. Porém, nesses casos, a vigilância com um médico especialista é ainda mais importante.
11 sintomas do câncer de pâncreas que merecem atenção
Os sinais e sintomas do câncer de pâncreas variam conforme a localização e o tamanho do tumor. Veja os principais:
1. Pele e olhos amarelados (icterícia)
A icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e da parte branca dos olhos, é um dos sinais mais característicos do tumor de pâncreas. Ela ocorre quando o tumor bloqueia o ducto biliar comum, impedindo que a bilirrubina (substância produzida pelo fígado) seja eliminada normalmente. Com o acúmulo dessa substância no sangue, a pele e os olhos ficam com tonalidade amarelada. De acordo com aAmerican Cancer Society, a icterícia é frequentemente o primeiro sinal perceptível do câncer de pâncreas.
2. Urina escurecida
O excesso de bilirrubina no organismo também provoca escurecimento da urina, que pode adquirir coloração castanha ou alaranjada intensa. Esse sinal costuma aparecer junto com a icterícia.
3. Coceira intensa na pele (prurido)
Quando a bilirrubina se deposita na pele, irrita as terminações nervosas e provoca coceira generalizada, muitas vezes sem vermelhidão ou qualquer lesão visível. É um sintoma frequentemente subestimado, mas que pode indicar obstrução biliar.
4. Fezes claras ou oleosas
Se as enzimas biliares e pancreáticas não conseguem chegar ao intestino, as fezes perdem sua coloração habitual e ficam claras, acinzentadas ou com aspecto oleoso e flutuante. Essa alteração indica que a gordura dos alimentos não está sendo absorvida corretamente.
5. Dor no abdômen ou nas costas
A dor abdominal, geralmente na região do epigástrio (parte superior do abdômen),pode ocorrer quando o tumor pressiona órgãos vizinhos ao pâncreas. Já a dor nas costas, na região lombar ou entre as escápulas, aparece quando o tumor invade os nervos ao redor do pâncreas. Muitos pacientes relatam que a dor piora ao deitar-se e melhora levemente ao sentar-se inclinado para frente. Saiba mais sobre outros sintomas docâncer gastrointestinal aqui no site do Dr. Roberto Pestana.
6. Náuseas e vômitos
Quando o tumor cresce em direção ao estômago ou ao duodeno, pode dificultar a passagem dos alimentos. Isso provoca náuseas e vômitos, especialmente após as refeições. Em alguns casos, o paciente sente o estômago “travado”.
7. Perda de peso e falta de apetite
A perda de peso não intencional é um dos sinais mais comuns no câncer de pâncreas. Ela ocorre por múltiplos fatores: redução do apetite, dificuldade de absorção de nutrientes e o próprio consumo energético causado pelo tumor. Muitos pacientes perdem peso rapidamente, mesmo sem fazer dieta. Segundo oOncoguia, a perda de peso involuntária está entre os sinais mais frequentemente relatados pelos pacientes ao diagnóstico.
8. Aumento da vesícula biliar
O bloqueio do ducto biliar pelo tumor pode fazer com que a bile se acumule na vesícula, provocando seu aumento de volume. Esse achado, chamado de sinal de Courvoisier, é detectado pelo médico durante o exame físico por palpação ou por exames de imagem, como ultrassom.
9. Aumento do fígado (hepatomegalia)
Quando o câncer de pâncreas se dissemina para o fígado, pode causar hepatomegalia, ou seja, aumento do fígado. Assim como na vesícula, esse achado é identificado por meio de palpação ou exames de imagem. Sua presença costuma indicar um estágio mais avançado da doença.
10. Coágulos sanguíneos (trombose ou embolia)
O tumor pancreático pode aumentar o risco de formação de coágulos no sangue. A trombose venosa profunda (coágulo em veia da perna) se manifesta com dor, inchaço, vermelhidão e calor na região afetada. Já a embolia pulmonar ocorre quando o coágulo migra para os pulmões, causando falta de ar e dor no peito, podendo configurar uma emergência médica.
11. Diabetes de início recente ou piora do diabetes existente
O pâncreas produz insulina. Quando o tumor destrói as células responsáveis por esse hormônio, pode surgir diabetes de aparecimento súbito, mesmo sem histórico familiar. Em diabéticos já diagnosticados, o câncer pode causar descompensação inesperada do açúcar no sangue. Outros sinais associados incluem aumento da sede, da fome e da frequência urinária.
Sintomas do câncer de pâncreas vs. outras doenças digestivas
Muitos dos sinais descritos acima também podem ser causados por condições menos graves, como gastrite, cálculos biliares ou pancreatite aguda. Por isso, a presença isolada de um sintoma não confirma o diagnóstico de câncer.
O que deve aumentar a suspeita clínica é a combinação de sintomas persistentes, especialmente em pessoas com fatores de risco. Abaixo, uma comparação simples:
| Sintoma | Câncer de pâncreas | Cálculo biliar | Gastrite |
| Icterícia | Frequente | Possível | Rara |
| Dor abdominal | Sim (dull, persistente) | Sim (cólica intensa) | Sim (queimação) |
| Perda de peso | Comum | Rara | Rara |
| Fezes oleosas | Sim | Às vezes | Não |
| Coceira na pele | Sim | Às vezes | Não |
Atenção: essa tabela é apenas informativa. Somente um médico pode avaliar e diagnosticar corretamente sua condição.
Quando procurar um oncologista especialista em tumores gastrointestinais?
Se você apresentar dois ou mais sintomas descritos acima, especialmente de forma simultânea ou progressiva, é importante não aguardar. O primeiro passo é consultar seu médico de referência, clínico geral ou gastroenterologista, que poderá solicitar exames iniciais (como ultrassom abdominal, tomografia e marcadores tumorais como o CA 19-9).
Caso os resultados levantem suspeita de tumor pancreático, o próximo passo é consultar um oncologista especializado em tumores gastrointestinais, como o Dr. Roberto Pestana, que avaliará o caso e indicará as melhores opções terapêuticas disponíveis, incluindo imunoterapia, terapias-alvo e participação emestudos clínicos. Destaca-se que há um grande desenvolvimento de novos medicamentos para câncer de pâncreas, incluindo dados do daraxonrasibe, uma terapia-alvo revolucionária que pode auxiliar pacientes em situações específicas.
Você está em São Paulo ou pode se deslocar até a capital?Agende uma consulta com o Dr. Roberto Pestana no Hospital Israelita Albert Einstein. O atendimento também pode ser feito por telemedicina, em todo o Brasil.
Perguntas frequentes sobre os sintomas do câncer de pâncreas
O câncer de pâncreas tem cura? Sim, especialmente quando diagnosticado em estágio inicial. As chances de cura dependem do tamanho do tumor, do estágio da doença e das condições gerais do paciente. Por isso, identificar os sintomas cedo é fundamental.
O câncer de pâncreas dói desde o início? Na maioria dos casos, não. A dor costuma aparecer em fases mais avançadas, quando o tumor já cresceu o suficiente para pressionar nervos e órgãos vizinhos. Essa é uma das razões pelas quais o diagnóstico precoce é tão desafiador.
Quais exames detectam o câncer de pâncreas? Os principais são: tomografia computadorizada com contraste, ressonância magnética, PET-CT, colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) e biópsia guiada por ecoendoscopia. O marcador tumoral CA 19-9 pode ser solicitado como complemento, mas não é diagnóstico isolado.
Quem tem diabetes pode desenvolver câncer de pâncreas? O diabetes em si não causa câncer de pâncreas. Mas o tumor pode causar diabetes como consequência. O aparecimento súbito de diabetes — sem histórico familiar — em pessoas acima de 50 anos merece investigação.
Qual médico trata o câncer de pâncreas? O tratamento é multidisciplinar e pode envolver cirurgião oncológico, oncologista clínico, radioterapeuta e médicos de suporte. O oncologista clínico é o especialista responsável por coordenar o tratamento sistêmico — quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo.
Conclusão
Os sintomas do câncer de pâncreas costumam ser silenciosos no início. Icterícia, dor abdominal persistente, perda de peso sem explicação, fezes oleosas e diabetes de início recente são os sinais que mais devem chamar atenção. Quanto antes esses sinais forem investigados, maiores são as chances de um tratamento eficaz.
Se você tem fatores de risco ou está apresentando alguns desses sintomas, não adie a consulta. Um oncologista especializado em tumores gastrointestinais pode fazer toda a diferença no seu cuidado.
Artigo escrito pelo Dr. Roberto Pestana (CRM-SP 170.446 | RQE 97248),oncologista clínico do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein, especialista em tumores gastrointestinais e sarcomas. Fellowship no MD Anderson Cancer Center, Houston (TX).
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.
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