Dr. Roberto Pestana
Publicado em 10/01/2022

HEMANGIOENDOTELIOMA EPITELIOIDE

hemangioendotelioma epitelioide (EHE, na sigla em inglês) é um tipo de sarcoma vascular. Trata-se de um tumor maligno e extremamente raro. Sua prevalência é inferior a um caso em um milhão, representando menos 1% dos tumores vasculares.

É considerado uma doença bastante complexa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),os hemangioendoteliomas epitelioides se classificam como lesões localmente agressivas, com elevado potencial metastático (disseminação para outras regiões). Ou seja, têm alta propensão para envolvimento sistêmico.

Saiba mais sobre os sarcomas.

O termo hemangioendotelioma se refere aos tumores vasculares – que podem ser benignos ou malignos (cancerosos). Além disso, o termo é usado para identificar tumores que têm um comportamento limítrofe entre os hemangiomas benignos e os angiossarcomas — esses, altamente malignos.

O hemangioendotelioma epitelioide costuma afetar pacientes de meia-idade de ambos os sexos, mas pode ocorrer da infância à velhice.

Sua origem permanece desconhecida.

Na maioria dos casos, o hemangioendotelioma epitelioide costuma ser assintomático. Porém, uma pequena parte dos pacientes se queixa de sintomas respiratórios (tosse e dispneia, por exemplo) e dor no peito.

Geralmente, esse tipo de tumor, afeta órgãos como pulmão, fígado e ossos. Mas, por ser bastante heterogêneo, pode surgir em várias outras regiões, tais como:

  • cabeça e pescoço;
  • cérebro e meninges;
  • mamas;
  • abdome;
  • coluna;
  • linfonodos (gânglios linfáticos);
  • mediastino (espaço existente entre os pulmões, onde ficam a traqueia, o coração, o esôfago e outras estruturas).

Quando há metástase óssea (considerada a mais frequente e grave),podem ocorrer fraturas. Se a disseminação for em uma vértebra, pode provocar compressão da coluna.

Como diagnosticar?

Mais de dois terços dos tumores vasculares se originam em vasos (pequenas veias). O aparecimento em veias grandes e artérias é menos comum. Pela análise microscópica, pode-se notar que as células tumorais se organizam em forma de ninhos ou cordões.

O diagnóstico do hemangioendotelioma epitelioide costuma ocorrer em meio a outras investigações, de maneira incidental. Geralmente, a suspeita surge a partir de radiografias torácicas anormais, com múltiplos nódulos perivasculares (com margens bem definidas ou borradas). Esses nódulos podem chegar a 2 cm, mas a maior parte tem menos de 1 cm. Normalmente, desenvolvem-se em vasos e brônquios de pequeno e médio porte.

Já as metástases (quando ósseas) aparecem como lesões osteolíticas vistas em radiografias com injeção de contraste e tomografias computadorizadas. A ultrassonografia, por sua vez, revela a vascularização do tumor, permitindo descartar a hipótese de malformação arteriovenosa ou aneurisma. Em alguns casos, pode-se solicitar uma tomografia por emissão de pósitrions e cintilografia óssea, também com o intuito de avaliar lesões disseminadas.

A abordagem do hemangioendotelioma epitelioide varia conforme seu estadiamento. Esse, por sua vez, é definido com base:

  • no tamanho;
  • na localização;
  • na extensão (localizado ou metastático);
  • e no grau de agressividade do tumor.

O tratamento consiste, basicamente, na remoção cirúrgica do tumor e da margem de segurança. Porém, devido à raridade do hemangioendotelioma epitelioide, não há uma terapêutica padrão bem estabelecida. Assim, a radioterapia também pode ser usada para ajudar no controle.

Em caso de metástase, não existe uma terapêutica padrão. Nesses casos, é preciso desenvolver uma terapia direcionada para cada paciente — a chamada oncologia de precisão.

Por exemplo: quando há metástase para o fígado, pode optar-se pelo tratamento cirúrgico seguido pelo transplante hepático. A combinação com quimioterapia também pode ser realizada, assim como algumas terapias-alvo.

Esperamos que o conteúdo tenha ajudado a esclarecer os principais aspectos do hemangioendotelioma epitelioide. No entanto, as informações aqui mostradas não eliminam a necessidade de uma consulta.

Em caso de suspeita, procure um oncologista especialista em sarcomas para uma avaliação individualizada. Assim, é possível chegar ao diagnóstico e, se preciso, dar início ao tratamento o mais rápido possível.

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