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Tumor estromal gastrointestinal (GIST): saiba como identificar

O tumor estromal gastrointestinal (conhecido pela sigla GIST),é uma neoplastia considerada rara, que, geralmente, ocorre no estômago ou no intestino delgado. Muitas vezes, eles são assintomáticos. No entanto, quando crescem demasiadamente ou estão situados em determinados pontos, manifestam uma série de sintomas incômodos — como dores abdominais intensas.

Neste artigo, sob orientação do Dr. Roberto Pestana, médico oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, SP, mostramos como reconhecer alguns dos possíveis sinais desse tipo de neoplasia. Para saber o que fazer em caso de suspeita, continue a leitura!

Quais são os sintomas do câncer gastrointestinal?

Muitas vezes, o GIST é assintomático. Porém, alguns pacientes têm sintomas que são indícios do problema. Confira a seguir.

Hemorragia

O sintoma varia conforme o local onde a hemorragia está localizada. Dessa maneira, pode provocar:

  • vômitos com sangue, se intensa e presente no estômago ou no esôfago;
  • evacuação com sangue imperceptível, se leve e originada do estômago ou do intestino delgado;
  • evacuação com sangue visível, se intensa e presente no intestino grosso;
  • anemia e, consequentemente, sensação de cansaço e fraqueza inexplicáveis, se leve, ocorrendo em qualquer parte do sistema gastrointestinal.

Outros sintomas

Os sintomas a seguir são comuns a muitas doenças e condições. Porém, também podem ter relação com o câncer gastrointestinal, precisando ser investigados em conjunto com diversos dados clínicos. Veja os mais comuns:

  • dor abdominal de intensidade variada;
  • inchaço na região da barriga;
  • náuseas e vômitos (sem sangue visível);
  • sensação de saciedade duradoura;
  • falta de apetite também duradoura;
  • perda de peso sem causa aparente;
  • problemas relacionados à deglutição.

Como agir ao reconhecer um dos sinais?

Ao reconhecer um ou mais desses sinais, o paciente deve ficar atento. Caso sejam sintomas comuns a diversas condições clínicas, como náuseas e vômitos sem sangue, mas que persistam por dias, é preciso procurar um médico. Já se houver qualquer sintoma relacionado a uma possível hemorragia, principalmente, com sangue visível nas fezes ou no vômito, procure ajuda imediatamente.

Dores abdominais fortes também são motivo para a ida ao pronto-socorro. Isso porque, o tumor gastrointestinal pode ter crescido a ponto de obstruir o estômago ou o intestino. Nessas situações, o protocolo padrão é a remoção por meio de uma cirurgia de emergência.

Como é o diagnóstico para o problema?

Para chegar ao tratamento ideal, existem alguns passos. O primeiro é acertar no diagnóstico.

Como não existem exames de rastreamento específicos para tumores raros, muitas vezes, eles tendem a ser identificados por acaso. É o que ocorre no caso do GIST em pessoas assintomáticas, que estejam em fase inicial (ou até pré-maligna). Ele costuma ser descoberto acidentalmente, em exames de rotina, como no check-up médico anual, ou em meio à investigação de outra condição.

Além disso, alguns tumores assintomáticos acabam sendo identificados durante cirurgias abdominais, realizadas para tratar outros problemas de saúde. Mas quando o paciente apresenta sintomas, o médico pode solicitar exames que ajudam a identificar a presença e a localização do tumor. São eles:

  • exames de sangue, para confirmar um quadro de anemia;
  • exames de função hepática, para investigar se houve metástase para o fígado;
  • endoscopia, para visualizar o trato gastrointestinal e, se preciso, coletar amostras de tecido de áreas suspeitas para análise laboratorial;
  • endoscopia digestiva alta, para visualizar o esôfago, estômago e intestino delgado e, se necessário, colher amostras de tecidos suspeitos para serem analisadas em laboratório;
  • colonoscopia, para visualizar o reto e o cólon e extrair, se preciso partes suspeitas para posterior biópsia (como pólipos);
  • endoscopia com cápsula (também chamada de cápsula endoscópica),para visualizar e analisar a parte média do trato gastrointestinal (que não é alcançada pela endoscopia e colonoscopia, sendo necessária a ingestão de uma cápsula com uma microcâmera que é naturalmente expelida pela defecação);
  • enteroscopia de balão duplo, um tipo de exame vídeo-endoscópico para visualizar as áreas profundas do intestino delgado, por via oral ou anal;
  • ultrassom endoscópico, um tipo de endoscopia que permite uma visualização ainda melhor da área afetada, bem como a determinação exata da sua localização e se houve a disseminação para linfonodos (gânglios linfáticos) ou outros órgãos.

Após a coleta da amostra da área suspeita, o achado segue para a biópsia de um médico patologista e, se necessário, para a realização de outros testes (imuno-histoquímica, testes genéticos moleculares ou índice mitótico). Apenas quando estiver com os laudos em mãos, o oncologista pode, enfim, determinar o diagnóstico e definir a melhor estratégia de tratamento para o GIST.

Como é o tratamento do GIST?

O GIST é tratado com cirurgia. Outras etapas, com radioterapia associada, ou não, à terapia alvo, podem ser necessárias.

Para concluir, em caso de suspeita, procure sempre um especialista. A escolha da estratégia de tratamento depende, sempre, do tamanho, localização e severidade do tumor. Mas quando o GIST é diagnosticado e tratado precocemente, o prognóstico é bastante favorável aos pacientes!

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Publicado por: - Oncologista - CRM 170.446
O Dr. Roberto Pestana (CRM 170.446) é oncologista clínica do centro de oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Além disso, ele é médico do ambulatório de sarcomas do Hospital Municipal Vila Santa Catarina.